Publicado por: osvaldopalmeira | maio 26, 2010

Com exportação, importação, inflação, déficit, a catástrofe e a tragédia grega dos aventureiros. Platão, Sócrates, Aristóteles, da tragédia imortal, o que escreveriam, agora, sobre esses TRILHÕES?

Uma tragédia principalmente transportada para o plano financeiro. E exigindo, inicialmente, 1 trilhão de dólares? Mais trágico ainda e revoltando toda a comunidade grega, que não tem a menor culpa ou participação nesse processo. Envolvendo a Europa e indo para os EUA, e ameaçando a economia do mundo. (Quer dizer, do povo).

Os alunos de Sócrates gostavam de perguntar: “Mestre, é verdade que o senhor sabe todas as coisas?”. E ele, tímido, respondia” “Meus filhos, só sei que nada sei”.

A resposta simples do grande filósofo, seria hoje dolorosa realidade. Por que a Grécia mergulhou profundamente nessa crise, com o déficit chegando a tais níveis?

(Sorte para o Brasil, que só tem déficit primário). O da Grécia deve ser secundário, talvez “triliardário”. É possível que seja mesmo, pois a “ajuda” começou tão alta e tão urgente, que ninguém sabe os números que poderá atingir.

O estarrecimento não é apenas filosófico, sociológico ou econômico, alguma coisa fugiu ao controle. Ou estão procurando explicação mais compreensível para os países da UE (União Européia). Por enquanto, o que se sabe ou se procura entender é a razão de ter chegado tão longe sem ninguém perceber.

Perceberam, mas existiam interessados em “não ver”? Ou até mesmo estimular, o que já chamam de segunda crise, praticamente no mesmo período?

O capitalismo tem tais mistérios, que nada é o que parece, ou então lucros e prejuízos não são tão desastrados nem conflitantes, compõem o mesmo conjunto. Têm muito de “construtivo” entre si.

Lord Keynes, o economista inglês, que em 1944 inventou o “dólar papel-pintado”, levando (e elevando) os EUA a uma prosperidade que durou pelo menos 50 anos, não estava muito tranqüilo em Bretton Woods.

Já havia criado o Bancor, moeda que substituiria o ouro como lastro para os negócios. (Principalmente exportação e importação). Mas não tinha muita certeza do que ocorreria. Quando um banqueiro não muito poderoso, interrogou-o sobre a relação que ocorreria entre LUCROS e PREJUÍZOS, Keynes respondeu alto e de mau humor: “Eu sou economista, o senhor deveria procurar e consultar um contador profissional”. (De mau humor, como Serra, e tão arrogante quanto o ex-governador, que jamais será presidente. O que comecei a dizer e a repetir desde 2002).

(Keynes estava sempe mais irritado do que Serra, obrigado a acordar às 8 da manhã. Para um cético mas não enciclopédico, irritante, insuportável, incompreensível).

A perplexidade da tragédia grega de agora, é o que os importantes pró-homens (ou que assim se julgam) do comando da UE, na Bélgica, traçam como projeto e objetivo para ultrapassar a crise: “Temos que salvar os banqueiros para que eles possam nos ajudar a vencer o gravíssimo problema”.

Isso é textual, esses “líderes” são tão pomposos e arrogantes, que não acredito que conheçam a famosa afirmação-interrogação de Lenine: “Qual a diferença entre fundar ou assaltar um banco?”.

Só que o capitalismo, mesmo “sufocado” e quase perdido entre becos e vielas, desemboca sempre em avenidas majestosas. Os EUA, que aparentemente foram atingidos pela primeira crise, (a “imobiliária”) na verdade foram criadores e vencedores.

Agora, a mesma coisa. Os bancos que “precisam ser salvos”, estão quase todos nos EUA. E o EURO, que tirava o sono dos “banqueiros-aventureiros” americanos, perdeu força, não assusta mais.

Já escrevi na Tribuna impressa: “O pânico dos EUA é que o valor do petróleo seja apregoado em EURO”. Disse na época que o “dólar papel-pintado”, seria salvo pelos TRILIARDÁRIOS da Rússia, China, Índia, paises árabes, e seus depósitos maravilhosos, feitos em bancos americanos.

Os ingleses, depois da implantação de um governo fraquíssimo e instável, “ressurgiram”. Motivo: preservaram a LIBRA, não aderindo ao EURO, estão satisfeitos. Não são mais ouvidos ou citados, mas podem fingir de potência.

***

PS – De qualquer maneira, o CAPITALISMO não vai acabar, o SOCIALISMO não irá desaparecer, nem mesmo em teoria. O mundo, pelo menos nos últimos 300 ou 400 anos, foi sempre dominado pela BIPOLARIDADE geográfica. A próxima BIPOLARIDADE será econômico-financeira, construída pela união China-EUA.

PS2 – Surgirá o que parecia impossível, cada vez mais possivel e obrigatório. Será o CAPITALISMO-SOCIALISTA, que pode ser identificado também como SOCIALISMO-CAPITALISTA. Imposto e garantido não tanto pela QUALIDADE e sim pela QUANTIDADE. Mas a QUANTIDADE vai purificar e trazer a QUALIDADE?

PS3 – Com fabulosa PROSPERIDADE para os que hoje são 7 BILHÕES de habitantes. Já serão então 10 BILHÕES.

PS4 – A China será CAPITALIZADA pela juventude, as centenas de milhões que gostaram de comprar e existir. Os EUA serão SOCIALIZADOS pela juventude, que quer continuar comprando e vivendo, não pretende deixar de existir.

PS5 – E com o avanço da tecnologia nuclear, não haverá mais guerras. Todos lembrarão de Einstein, quando lhe perguntaram sobre a TERCEIRA GUERRA Mundial, NUCLEAR: “Se houver, a QUARTA será travada com paus e pedras, não sobrará mais do que isso”.

PS6 – Só que desaparecerá sem possibilidade de volta, a maior fonte de destruição e enriquecimento que é o chamado COMPLEXO INDUSTRIAL MILITAR. (Surpreendentemente, royalties da frase, para o general Eisenhower).

Postado por Helio Fernandes, Tribuna da Imprensa

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