Publicado por: osvaldopalmeira | julho 23, 2010

Índio da Costa, a versão brasileira da Sarahcuda

montagem acima enviada pelo leitor Pedro Camara

Unleashed, Palin Makes a Pit Bull Look Tame

(Solta, Palin faz um pit bull parecer manso)

By Dana Milbank
Tuesday, October 7, 2008

do Washington Post

FORT MYERS, Fla., Oct. 6 — John McCain está desabando nas pesquisas eleitorais da Flórida e de outros estados decisivos, mas Sarah Palin, Deus a abençoe, tem a solução.

“Para mim, é hora de botar os saltos altos e de tirar as luvas”, ela anunciou ao meio-dia da segunda-feira diante de um grupo de doadores republicanos no Naples Beach Club.

Assim foi.

Enquanto os doadores bebiam bloody marys e mimosas, ela acrescentou, com um sussuro conspiratório, “também estou mandando esta mensagem para John McCain: amanhã é dia de debate e ele também deve tirar as luvas”.

Certo.

Naturalmente, não se trata apenas de saltos e luvas; há um papel para o que se usa na cabeça.”Ok, Florida, você sabe que vai ser preciso segurar os chapéus”, ela disse num comício de manhã em Clearwater, “porque de agora até o dia da eleição talvez as coisas fiquem um pouco duras”.

Não diga isso, Sarah!

O senador Lindsey Graham, um confidente de McCain, disse a David Broder do Washington Post que a campanha “iria entrar para a história como estúpida se não soltasse Palin”. Bem, a auto-identificada pit bull está solta.

Barack Obama, ela disse diante de 8 mil pessoas num comício na tarde de segunda-feira, “lançou sua carreira política na sala de estar de um terrorista doméstico!”. Isso foi depois de uma acusação feita mais cedo ao democrata de que ele convivia com  terroristas. “Este não é um homem que vê os Estados Unidos como eu ou vocês”, ela disse à multidão de Clearwater [a respeito de Obama]. “Tenho medo de que é alguém que vê os Estados Unidos como um lugar suficientemente imperfeito para aceitar parceria com um terrorista doméstico que fez ataques em seu próprio país”. A multidão respondeu com vaias.

McCain havia dito que ataques racialmente explosivos relacionados com o ex-pastor de Obama, o reverendo Jeremiah Wright, eram inaceitáveis. Mas Palin disse ao colunista Bill Kristol do New York Times em uma entrevista publicada na segunda: “Eu não sei porque aquela associação não é mais discutida [na campanha]“.

Pior, os ataques rotineiros de Palin contra a mídia estão se tornando violentos. Em Clearwater, os repórteres que chegavam foram recebidos com gritos e ameaças por uma multidão de 3 mil pessoas. Palin então passou a culpar Katie Couric [apresentadora de TV] pelas perguntas  que resultaram em sua “menos que bem sucedida entrevista com a mídia corporativa”. Então, os apoiadores de Palin passaram a olhar para a área onde estavam os repórteres e fazer gestos agressivos. Outros passaram a xingar uma equipe de TV. Um apoiador de Palin usou uma expressão racialmente ofensiva contra um operador de câmera e gritou “senta aí, moleque”.

As chances de McCain estão fora de seu controle, como resultado do colapso econômico que na segunda-feira acendeu novos temores quando o índice Dow Jones fechou pela primeira vez abaixo dos dez mil pontos em quatro anos. É por isso que sua liderança na Flórida , que já foi de 15 pontos, se tornou um déficit de 3 pontos.

Mas a campanha reagiu com recriminações (o jornal St. Petersburg Times noticiou que o presidente do Partido Republicano da Flórida, depois de questionar a atitude de Palin, foi informado de que não poderia viajar no avião dela) e agora com o ódio de Palin.

A raivosa candidata a vice do Partido Republicano encontrou até um jeito de culpar o declínio do mercado financeiro nas políticas fiscais de alguém que ainda não foi eleito, Obama.

“Se você ligar no noticiário esta noite quando chegar em casa, você vai ver que, sim, este foi outro dia ruim para o mercado, e o outro lado [Obama] simplesmente não entende — não”, ela disse em um encontro para levantar fundos na casa do financista Jack Donahue. “Especialmente numa hora como esta,  não se propõe aumento de impostos. A pior das mentiras de uma campanha cheia de mentiras é a de que Barack Obama vai cortar impostos”.

Naturalmente, Obama nunca prometeu cortar impostos para as pessoas que participam de um almoço que custou 10 mil dólares por prato em tendas com ar-condicionado diante do mar. E a multidão — no  meio dela estava o dono do New York Jets, Woody Johnson — reagiu sem aplauso quando Palin usou a linguagem do zé-da-esquina. Quando ela não foi recebida com o tradicional “Fure, baby, fure” ou com os gritos de “Estados Unidos!”, Palin, desapontada, leu correndo o que restava do discurso.

A recpção tinha sido melhor em Clearwater, quando Palin, falando a um mar de gente com camisetas com os dizeres ”Poder Palin” e “Sarahcuda” [trocadilho com barracuda], tentou ligar Obama ao grupo Weather Underground, dos anos 60. “Um dos primeiros apoiadores [de Obama] foi Bill Ayers”, ela disse. (Booooo, respondeu a multidão). “E, de acordo com o New York Times, ele foi um terrorista doméstico e parte de um grupo que, entre aspas, ‘lançou uma campanha de bombardeios que teria como alvo o Pentágono e o Capitólio’”, ela continuou. (Booooo, a multidão repetiu).

“Mate-o”, propôs um homem na audiência.

Palin também disse aos que se reuniam que Obama não gosta de soldados americanos. “Ele disse que nossas tropas no Afeganistão estão apenas, entre aspas ‘fazendo ataques aéreos a vilas e matando civis’”, ela disse, causando vaias de uma multidão que não foi informada que Obama tem pedido [em campanha] mais tropas no Afeganistão.

“Vejam, John McCain é um tipo diferente de homem: Ele acredita em nossas tropas”, ela disse.

Em alguns momentos, Palin deu pistas de que há problemas na campanha. “Vai ser uma batalha dura, especialmente nos estados decisivos, alguns dois quais a gente não esperava enfrentar dificuldades”, ela admitiu diante de doadores. Ela disse que “John McCain e eu precisamos melhorar” quando falamos da economia.

Em outras situações, ela enfrentou problemas, por exemplo quando se referiu no fim-de-semana “ao nosso vizinho, o Afeganistão” ou quando passou a chorar copiosamente em um comício em Clearwater dizendo “alguns dos cartazes de vocês me fazem chorar”, sem explicar quais ou porque.

Mas então ela tirou as luvas, colocou os saltos altos e Palin voltou a falar do oponente que frequentava a sala-de-estar de um terrorista.

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