Publicado por: osvaldopalmeira | julho 25, 2010

Cem anos de solidão ou O amor nos tempos do cólera!

Antonio Nunes de Souza*

Com minha ousadia peculiar, usei títulos de romances maravilhosos do grande escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez, ganhador do Nobel de literatura em 1982, para falar da minha querida cidade de Itabuna que, guerreiramente, chega ao seu centenário, não verdadeiramente na solidão ou com o amor nos tempos do cólera, mas, lamentavelmente, não tão bem acompanhada como merecia e merece estar em termos de saúde, educação, saneamento, segurança e, pricipalmente, maior clareza na distribuição dos gastos públicos.

A saúde está tão debilitada que o próprio doente, antes de desmaiar implora encarecidamente, para não o levarem para o Hospital de Base. Consegui-se transformar um hospital que fazia o papel de regional, com atendimentos qualificados e eficientes, numa enfermaria debilitada e mais doente que os pacientes que o procura. Os postos que deveriam dar apoio aos bairros periféricos estão com falta de médicos e medicamentos, não cumprindo as funções mais primárias de atendimento.

Quanto à educação e cultura continua uma disputa unilateral partidária que, sensivelmente, sacrifica o povo por não participar de alguns projetos educacionais do governo, que ampliariam os saberes diminuindo o analfabetismo. A Fundação de Cultura transformou-se em um cabide de empregos, não cumprindo com sua finalidade primordial de estimular os artistas locais e regionais através de publicações, gravações e exposições dos seus trabalhos, restringindo-se a alguns interesses pessoais e favoritismos.

Uma lástima triste é a área de saneamento, onde os fétidos canais que circulam bairros e o centro são verdadeiros focos de mosquitos, ratos e baratas, já que servem de lixeiras de todas as espécies, sem que haja limpezas periódicas por parte da administração pública. Graças à interviniência do governo federal, que disponibilizou uma verba específica, parece que será realizada uma obra nesse sentido. Tomara que a aplicação seja feita com bom senso e seriedade.

A temeridade de se andar na cidade é uma constante em todos os bairros e até no centro. Os assaltos, crimes e violência, diariamente, servem de notícias para a população, ampliando cada vez mais o medo de se transitar, quer seja a pé ou com veículo. Alguns bairros já estão infestados de traficantes, que se guerreiam constantemente colocando os moradores em pânico e aterrorizados.

Com bastante sentimento, temos que concordar que nossa cidade, embora não tenha atravessado seus cem anos na solidão, hoje, com certeza absoluta, não está bem acompanhada!

Também cabe, perfeitamente, a citação do “O amor no tempo do cólera”, uma vez que o amor pela nossa cidade de Itabuna, por mais que não queiramos, está cheio de cóleras e tristezas por presenciar tantos fatos desagradáveis e desprezíveis, simplesmente por uma falta de compromisso político e solidariedade humana, colocando seus interesses pessoais na frente das necessidades do povo.

Já conseguimos com muita luta melhorar, consideravelmente, o panorama nacional (que ainda pode e deve ser saneado bastante). Agora, prestes as novas eleições, nada melhor que participar, efetivamente, para que o governo estadual e federal continue seu trabalho de melhorias comprovadas, e que Itabuna, contando com esses apoios, possa comemorar brevemente um novo aniversário muito bem acompanhada e cheia de amor. Ou seja: sem solidão e nem cólera!

*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)

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