Publicado por: osvaldopalmeira | outubro 23, 2010

Oito dias de fúria midiática – bombardeio de saturação

Posted by eduguim on 23/10/10 • Categorized as Opinião do blog

 

Em matéria veiculada na sexta-feira 22 de outubro em seu site, a Agência de Notícias Reuters afirmou, em manchete, que a revista Veja “pode ser o último obstáculo para a vitória de Dilma”. O trecho inicial da reportagem assinada pelo repórter Stuart Grudgings se constitui na melhor crônica sobre o que caracteriza a reta final da disputa pela Presidência da República.

Revista pode ser o último obstáculo para a vitória de Dilma

Sexta-feira, 22 de outubro de 2010 21:05 BRST

Por Stuart Grudgings

Agência Reuters

RIO DE JANEIRO (Reuters) – Já se tornou um ritual nas manhãs de sábado durante a atual corrida presidencial –funcionários dos partidos e jornalistas correm às bancas para verem se, desta vez, a edição da revista Veja derruba a candidata Dilma Rousseff (PT).

Com sua capacidade para fazer ataques, a revista mais lida do Brasil –que já divulgou dois escândalos de corrupção que afetaram Dilma– parece ser o último grande trunfo da oposição, numa disputa em que a candidata governista chega à penúltima semana ampliando sua vantagem na dianteira das pesquisas.

Alguns analistas políticos descrevem a corrida em termos de quantas capas da Veja faltam para a eleição: duas.

A incansável campanha da publicação contra Dilma é um sinal daquilo que alguns dizem ser uma profunda tendência da mídia brasileira contra o PT e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, primeiro presidente brasileiro egresso da classe operária.

Para ler a matéria completa, clique aqui

O que torna extremamente grave a matéria da agência de notícias Reuters não é nem o seu conteúdo, que se vê reproduzido em centenas de páginas na internet, em revistas, jornais, tevês e rádios, todos de menor porte, a dita “mídia alternativa” à mídia tradicional, encabeçada pelos grupos Folha e Estado, pela Editora Abril e pelas Organizações Globo. A força da matéria está no perfil da Reuters que figura em seu site, reproduzido abaixo:

A Thomson Reuters é a maior agência internacional de notícias e multimídia do mundo, fornecendo notícias do mundo, investimentos, negócios, tecnologia, manchetes, pequenos negócios, alertas, finanças pessoais, mercados acionários e informações de fundos mútuos disponíveis através do Reuters.com, pelo celular, de vídeos e de plataformas interativas de televisão. Os jornalistas da Thomson Reuters estão sujeitos ao Editorial Handbook, que exige apresentação justa e divulgação de interesses relevantes.

Fica difícil, diante de um perfil como esse, qualificar a agência de notícias de “petista” ou “comunista” ou “petralha” ou seja lá que epíteto pejorativo se queira usar para acusar o veículo de parcial em favor do PT.

A matéria, aliás, foi feliz porque previu o que se viu neste sábado nessa imprensa que a Reuters considera partidarizada e que trabalha para eleger o adversário de Dilma fornecendo supostos escândalos para a campanha dele usar, como demonstra a imagem em epígrafe neste post, reproduzindo as capas de Veja e Folha de São Paulo de 23 de outubro de 2010.

Mais revelador ainda do que acontece no Brasil às vésperas da eleição que talvez seja a mais importante de sua história – pois escolherá quem administrará a rota de sucesso, de enriquecimento e de ascensão social da sociedade brasileira ao longo de quase oito anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva – é a opinião do jornalista das Organizações Globo Ricardo Noblat, gravada em vídeocast, reproduzida em seu blog na sexta-feira.

Vale transcrever parte do que foi dito em vídeo:

– Os estudiosos de eleições, os marqueteiros responsáveis pela comunicação dos candidatos, os analistas de pesquisas, todos eles coincidem numa coisa: é nessa penúltima semana de campanha – não na última – onde (sic) o eleitor indeciso define seu voto.

– Ele ta confuso, ele ta (sic) em… Ele não sabe bem em quem ele vai votar, mas quando vai chegando o final desta semana, que antecede a última semana, ele se reúne com os seus parentes, com os seus familiares, ele ouve seus amigos e ele, na maioria das vezes, na esmagadora maioria das vezes, chega na próxima segunda-feira, a poucos dias da eleição, com seu voto definido.

– É por isso que todas as campanhas jogam todos os seus principais trunfos nesta semana, não na última. É agora que se dá o debate mais importante entre os candidatos, é agora que as revelações eventualmente guardadas, as denúncias acumuladas, costumam virar à luz.

(…)

Está, assim, largamente explicada e comprovada a visão da agência Reuters, da dita mídia “alternativa”, enfim, da maioria da sociedade brasileira, que confere ao governo Lula uma aprovação sem precedentes na história republicana deste país, por mais que a aprovação do conjunto da sociedade difira da do conjunto do eleitorado, que, por sua vez, aprova em maioria relativa a candidata desse governo à própria sucessão.

Restará aos historiadores do futuro decidirem até que ponto foi democrático, justo, honesto e até mesmo legal o que está acontecendo na política brasileira e que se reproduz por toda a América Latina, esse fenômeno de os setores mais abastados das sociedades da região usarem os meios de comunicação que controlam para tentarem eleger candidatos sabidamente identificados consigo.

Contudo, no presente, ao menos um fato pode ser considerado inegável por qualquer analista isento. Esses meios de comunicação que se transformaram em braços de campanha de um dos lados esgrimindo com o que chamam de “liberdade de imprensa” tentam enganar a população brasileira, pois em ampla maioria teimam em dizer que são “isentos”.

Entre si, os soldados (colunistas, repórteres, editorialistas, enfim, os funcionários desses conglomerados de mídia) da ala midiática do grupo político de oposição a Lula, à sua candidata e ao seu partido admitem abertamente o que fazem e que os seus patrões determinam que façam, mas argumentam que o fim nobre (em suas retóricas) justificaria os meios.

No momento em que termina este texto, ainda faltam nove dias, três horas e 19 minutos para terminar o processo eleitoral e as oportunidades para a fúria midiática ter sucesso em eleger José Serra presidente da República pelos próximos quatro anos.

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